ESPAÇO PARTICULAR SEM QUALQUER RELAÇÃO LEGAL COM A IGREJA

sábado, 2 de maio de 2009

Viver sob a Orientação das Escrituras


Minha mulher e eu estivemos recentemente na Dinamarca, durante a comemoração do sesquicentenário da Igreja na Escandinávia. Entre as reuniões, passamos algumas horas procurando a cidade em que dois dos avós de meu pai tinham nascido. Eles estavam entre os primeiros conversos da Igreja na Dinamarca. A família da avó paterna de meu pai morava na parte oeste do país. A família de seu avô paterno morava no norte da Dinamarca. Graças a um bom motorista e a um mapa excelente, encontramos todas as cidades de nossa lista e conseguimos dados preciosos. Durante toda a jornada, segurei firmemente nas mãos aquele valioso mapa, que foi tão importante para alcançarmos nossos objetivos.
Por outro lado, muitas pessoas seguem pela vida sem uma boa orientação, sem o conhecimento de seu destino desejado nem do modo como chegarem até lá. Mas se precisamos prestar tanta atenção ao mapa rodoviário para um passeio de um dia, não seria também sensato prestarmos
muita atenção à orientação autorizada para a nossa jornada da vida? Para isso, gostaria de falar sobre por que precisamos de orientação, onde podemos encontrá-la e como podemos segui-la.

POR QUE PRECISAMOS DE ORIENTAÇÃO

A pergunta por quê? concentra-se no propósito da vida. O objetivo final de nossa jornada mortal foi revelado por nosso Criador, que disse: “Se guardares meus mandamentos e perseverares até o fim, terás vida eterna, que é o maior de todos os dons de Deus”.
Seu dom de vida eterna depende das condições por Ele estabelecidas. Essas condições constituem um plano ou, usando minha analogia, um mapa espiritual. E quando surgem problemas é que mais precisamos de orientação. Em nossa viagem pela Dinamarca, encontramos um desvio inesperado que nos fez perder o rumo. Para voltarmos ao caminho certo, tivemos de parar o carro e estudar o mapa com muito cuidado. Fizemos, então, as correções necessárias no curso.
O que aconteceria se vocês se perdessem e não tivessem um mapa?
Imaginem que estejam sozinhos, sem saber onde se encontram. O que vocês podem fazer? Podem pedir ajuda! Ligar para casa! Ligar para a Igreja! Orar! Quando entrarem em contato com sua fonte de auxílio, descobrirão que terão de subir uma ladeira aqui ou virar uma esquina ali para voltarem para o rumo certo. Ou talvez tenham que retornar ao princípio para ter certeza de que chegarão ao lugar para onde desejam ir.

ONDE ENCONTRAR ORIENTAÇÃO

Isso nos leva à seguinte questão: Onde encontrar a orientação de que precisamos? Procuremos Aquele que nos conhece melhor do que ninguém: o nosso Criador. Ele permitiu que viéssemos à Terra com a liberdade de escolher nosso próprio caminho. Devido a Seu grande amor, Ele não nos deixou sozinhos, mas providenciou um guia, um mapa espiritual, para ajudar-nos a ter sucesso em nossa jornada. Chamamos esse guia de obras padrão. Elas receberam esse nome porque a Bíblia Sagrada, O Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e A Pérola de Grande Valor são o padrão pelo qual devemos viver. Elas nos servem de padrão de referência, da mesma forma que os padrões de tempo, peso e medidas que estão guardados na agência nacional de padrões.
Para atingir nosso objetivo de vida eterna, precisamos seguir os ensinamentos das obras padrão e outras revelações recebidas dos profetas de Deus. Nosso amoroso Senhor previu nossa necessidade de orientação. Ele disse: “Pois estreita é a porta e apertado o caminho que leva à exaltação e à continuação das vidas, e poucos há que o encontram”.
Poucos encontram o caminho
porque ignoram o mapa divino providenciado pelo Senhor. Um erro ainda mais grave é ignorar o Criador do mapa. Deus declarou no primeiro de Seus Dez Mandamentos: “Não terás outros deuses diante de mim”. Mas o homem natural tende a deixar sua lealdade voltar-se para os
ídolos.
Ficamos maravilhados, por exemplo, com os computadores e a Internet, que permitem a transmissão de dados a uma velocidade notável. Somos verdadeiramente gratos por esses servos eletrônicos. Mas se deixarmos que eles tomem nosso tempo, pervertam nosso potencial ou envenenem nossa mente com pornografia, eles deixarão de ser servos e passarão a ser falsos deuses.
O Mestre alertou-nos contra aqueles que “não buscam o Senhor para estabelecer sua justiça, mas todo homem anda em seu próprio caminho e segundo a imagem de seu próprio deus, cuja imagem é à semelhança do mundo e cuja substância é a de um ídolo”.
Os deuses falsos só nos conduzem a becos sem saída. Se quisermos ter sucesso em nossa jornada da vida, precisamos seguir a orientação divina. O Senhor disse: “Buscai-me em cada pensamento; não duvideis, não temais”. E o salmista escreveu:“Lâmpada para os meus pés é tua palavra,
e luz para o meu caminho”.
A aplicação prática desses conselhos exige não apenas convicção, mas, sim, conversão e, muitas vezes, arrependimento. Isso agrada ao Senhor, que disse: “Convertei-vos, e tornai-vos dos vossos ídolos; e desviai ( . . . ) de todas as vossas abominações”.
Em sua jornada da vida, vocês encontrarão muitos obstáculos e cometerão alguns erros. A orientação das escrituras irá ajudá-los a reconhecer o erro e fazer as correções necessárias. Vocês pararam de seguir na direção errada. Estudam cuidadosamente o mapa das escrituras e depois, efetuam o arrependimento e a restituição necessários para voltar ao “caminho estreito e apertado que conduz à vida eterna”.
Irmãos e irmãs, nossa vida atarefada nos força a concentrar-nos nas coisas que fazemos a cada dia. Mas o desenvolvimento do caráter somente acontece quando nos concentramos em quem realmente somos. Para estabelecer e atingir essas metas mais elevadas, precisamos da ajuda celeste.

COMO PODEMOS COLOCAR EM PRÁTICA A ORIENTAÇÃO DAS ESCRITURAS

Depois de termos entendido o motivo por que precisamos de orientação e onde podemos encontrá-la, perguntamos, então: Como podemos colocá-la em prática? Como podemos
realmente viver “nem só de pão ( . . . ) mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”?
Começamos com a firme determinação de “[aplicar] todas as escrituras a nós para nosso proveito e instrução”. Se prosseguirmos com firmeza, banqueteando-nos com a palavra de Cristo, e perseverarmos até o fim, teremos vida eterna.
Banquetear significa mais do que simplesmente provar. Banquetear significa saborear. Saboreamos as escrituras quando as estudamos em espírito de prazerosa descoberta e fiel obediência. Quando nos banqueteamos com as palavras de Cristo, elas são escritas “nas tábuas de carne do coração” e se tornam parte integrante de nossa natureza.
Há muitos anos, um colega médico repreendeu-me por eu não ser capaz de separar meu conhecimento profissional de minhas convicções religiosas. Isso deixou-me surpreso, porque não creio que a verdade possa ser fracionada dessa forma. Averdade é indivisível.
Corremos um grande risco quando nos dividimos usando expressões do tipo “minha vida particular”, “minha vida profissional” ou “meu melhor comportamento”. Se dividirmos nossa vida em compartimentos, isso pode resultar em conflitos internos e exaustiva tensão. Para escapar dessa tensão, muitas pessoas insensatamente recorrem a substâncias que causam dependência, à busca do prazer ou à auto-indulgência, que por sua vez provocam mais tensão, criando assim um círculo vicioso.
A paz interior só pode ser alcançada se mantivermos a integridade da verdade em todos os aspectos de nossa vida. Quando fazemos convênio de seguir o Senhor e obedecer a Seus mandamentos, aceitamos Seus padrões em todos os nossos pensamentos, atos e realizações.
O cumprimento dos padrões do Senhor exige que cultivemos o dom do Espírito Santo. Esse dom nos ajuda a compreender a doutrina e a aplicá-la em nossa vida pessoal. Como a verdade dada por revelação só pode ser compreendida por revelação, temos que estudar em espírito de oração. As escrituras atestam a eficácia da oração na vida diária. Uma dessas referências está em Provérbios: “Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas”. Outra se encontra no Livro de Mórmon: “Aconselha-te com o Senhor em tudo que fizeres e ele dirigir-te-á para o bem”.
Ao ponderarmos e orarmos a respeito dos princípios do evangelho, o Espírito Santo nos falará na mente e no coração. A partir dos eventos mencionados nas escrituras, veremos surgir um novo entendimento, e princípios relevantes para a situação em que nos encontramos se destilarão em nosso coração.
Vocês podem cultivar essas experiências com a revelação, vivendo de acordo com a luz que já receberam e estudando as escrituras com sinceridade e com a real intenção de achegarem-se a Cristo. Ao fazê-lo, sua confiança “se fortalecerá na presença de Deus” e o Espírito Santo será seu companheiro constante.
A aplicação prática das escrituras pode ser auxiliada por perguntas pertinentes. Vocês podem perguntar: “Que princípios podemos aprender com esses ensinamentos do Senhor?” As escrituras, por exemplo, ensinam que a Criação foi realizada ao longo de seis períodos de tempo. Os princípios que aprendemos com esse estudo mostram que qualquer realização importante exige planejamento adequado, tempo, paciência e trabalho, sem nenhum tipo de atalho.
Em seguida, sugiro que adaptem seu estudo a seu próprio modo de ser. Uma das maneiras de se estudar é ler um livro de escrituras de capa a capa. Esse método proporciona uma boa visão geral. Mas outros métodos também têm seu valor. A atenção dada a um assunto em particular ou um tema específico, complementando-se o estudo com o uso das referências remissivas na notas de rodapé e o guia de estudos, pode fazer com que compreendamos melhor a doutrina.
A orientação pode chegar num momento em que estejamos nos debatendo com um sério problema da vida. Há muitos anos, quando eu começava minhas pesquisas científicas num campo que na época era novo para a medicina, um padrão de verdade encontrado nas escrituras deu-me a coragem necessária para perseverar. Encontrei muito alento nestes versículos de Doutrina e
Convênios: “A todos os reinos se deu uma lei;
E há muitos reinos; pois não existe espaço em que não haja reino; e não existe reino em que não haja espaço, seja um reino maior ou um reino menor.
E a todo reino é dada uma lei; e toda lei também tem certos limites e condições”. Aprendemos leis que se referiam ao nosso “reino” de interesse e descobrimos como controlar coisas que anteriormente tinham sido relegadas ao mero acaso, devido à nossa ignorância.
A motivação para buscarmos a orientação das escrituras ocorre quando precisamos tomar decisões importantes, particularmente quando as opções são igualmente válidas. As Autoridades Gerais freqüentemente deparam-se com esse tipo de decisões. Nessas ocasiões, consultamos as escrituras. Chegamos a ler todas as obras padrão de novo, procurando pontos que esclareçam certas questões específicas.
O tempo para o estudo das escrituras exige que tenhamos um horário que precisa ser cumprido. Caso contrário, as bênçãos mais importantes ficarão à mercê das coisas que menos importam. O horário para o estudo das escrituras em família pode ser algo difícil de se estabelecer. Há alguns anos, quando nossos filhos ainda moravam conosco, eles estavam em classes diferentes e em várias escolas diferentes. O pai deles tinha que estar no hospital antes das sete horas da manhã. Em um conselho de família, decidimos que o melhor horário para o estudo das escrituras seria às seis horas da manhã. Naquele horário, nossos filhos mais novos estavam muito sonolentos, mas apoiaram a decisão. De vez em quando, tínhamos que acordar um deles quando chegava a sua vez de ler. Eu não estaria sendo completamente honesto se lhes passasse a impressão de que nossa hora de estudo das escrituras tenha sido um sucesso gritante. De vez em quando, era mais gritante do que bem-sucedida. Mas não desistimos.
Agora, uma geração depois, nossos filhos estão todos casados, cada um com sua própria família. Minha mulher e eu observamos como eles realizam com alegria o estudo das escrituras em seu próprio lar. Eles têm tido muito mais sucesso do que nós tivemos. Tremo só em pensar no que teria acontecido se tivéssemos desistido.
Todos precisamos de orientação na vida. O melhor lugar para encontrá-la são as obras padrão e os ensinamentos dos profetas de Deus. Com esforço diligente, podemos colocar em prática essa orientação e assim qualificar-nos para todas as bênçãos que Deus reservou para Seus filhos fiéis. Presto testemunho disso, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Élder Russell M. Nelson
Do Quórum dos Doze Apóstolos
Conferência Geral Outubro de 2000 - 1ª Sessão de Sábado

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